sexta-feira, 20 de maio de 2011

Diário Hangar - Março/Abril 2011


Uma das reclamações constantes que recebo é que nosso diário demora muito a ser publicado, acumulando meses até a próxima publicação. Sendo assim, resolvi tentar escrevê-lo todo o final de cada mês a partir de março.

Hangar Day

Começamos nosso ano de 2011 muito bem em fevereiro e tínhamos a intenção que março fosse ao menos parecido. A meses planejávamos o Hangar Day e finalmente ele chegou. Os últimos dias de fevereiro foram intensos, uma correria, pois os candidatos enviavam vídeos a toda hora e, como sempre, fiquei como responsável de assisti-los e repassá-los ao pessoal da banda para avaliação. Meu critério de escolha foi além do vídeo, considerei a história de cada um com a música e a relação com a banda Hangar, se realmente era um fã e tal. No final da apuração tivemos algumas arestas a aparar porque ficamos em dúvida quanto a algumas escolhas. Decidimos que não seria mal nenhum em convidarmos três bateristas e dois guitarristas. Para vocal, tecladista e baixista optamos por somente um de cada. O resultado final foi divulgado no dia 4 de março e tive a preocupação de falar com todos os candidatos para realmente saber se eles estariam disponíveis para a data.

Viajei no dia 10 para São Paulo e começamos a trabalhar para o evento do dia 12. A produção era toda do Hangar então os esforços foram dobrados. Tivemos o apoio da Free Note que esteve conosco em todo o evento, da divulgação até o fechamento do Blackmore na madrugada do dia 13. Sem a presença do Vinicius e do Zé, não conseguiríamos chegar ao sucesso no projeto. Na manhã do dia 12 enquanto nossa equipe montava o equipamento , os vencedores começavam a chegar. Primeiro foi o Jarlysson, baterista de Santarém, no Pará, e o Vítor, guitarrista de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul. Depois chegou o Thiago Bonga, baixista de Salvador, Bahia e o Rafa Dachary, baterista de Ijuí, mas que mora em Florianópolis, Santa Catarina. Tímidos, todos pareciam meio assustados com a quantidade de equipamentos e pela proximidade com a banda. Os demais selecionados seguiram direto para o local do almoço. Chegamos por volta da uma da tarde e encontramos o Díogenes Lima, tecladista natural de Passo Fundo, mas morador do Guarujá, São Paulo e a Monica Souza, vocalista de Porto Alegre. A Mônica, de tão empolgada que estava, acabou levando sua banda inteira para São Paulo para apoiar a sua performance. No almoço recebemos a visita da equipe do Stay Heavy. Como sempre nossos amigos Vinicius e Cintia Diniz foram muito atenciosos e fizeram a cobertura completa, do almoço até o show, para um programa especial que irá ao ar no próximo mês. Todos bem humorados e alegres com a participação e a festa que estava acontecendo. Almoçamos e voltamos direto para o Blackmore. Acompanhamos o restante da montagem e esperamos a passagem de som. Geralmente nossa "passagem de som" não demora muito, no máximo três a quatro músicas, quando precisamos. Nesta tarde tudo foi diferente. Eram "sete" pessoas que nunca haviam tocado conosco. A esta altura o Ivo, guitarrista de Santos, São Paulo, se juntou a nós, já que por motivos particulares não havia comparecido ao almoço. Tocamos com nossos convidados as sete músicas nas quais iriam dividir o palco conosco. Depois passamos mais quatro ou cinco músicas sozinhos. Saímos desta fase já cansados, pois tocamos cerca de 11 ou 12 músicas. Já passava das seis da tarde quando o pessoal da banda foi para casa descansar, tomar banho, etc... Enquanto nossos convidados, como bons turistas, foram conhecer o Shopping Ibirapuera, próximo do Blackmore. Tive que ficar no bar para arrumar todos os banners e material de divulgação e merchandising com o pessoal da Free Note. Aliás, neste dia fizemos a estréia da nossa nova componente na equipe, a máquina de cartões da Cielo. Sim, a Cielo está conosco agora e não tem como não levar alguma coisa do merchandising do Hangar, ficou muito fácil: se não tem grana, passa o cartão, rsrsrs. Já havia fila na porta do Bar. Pessoas tirando fotos com o Infallibus, como se ele fosse um grande herói do metal nacional, ou coisa assim... ahaaaaaaa, massa.

Eu já tava mais que cansado, desde as oito da manhã na correria, mas a festa estava acima de tudo e era um grande dia para todos nós. Pelas dez da noite o Blackmore estava lotado, muita gente com a camiseta do Hangar, amigos, fãs, todos presentes para celebrar. Às onze e meia começaríamos o show e fui atrás de todos os participantes para avisá-los. Havia uma ordem de apresentação, o que significava que teríamos que estar bem organizados. Não havia mestre de cerimônia, então combinamos que a apresentação inicial ficaria a cargo do Aquiles e depois sucessivamente eu, Martinez, Fábio e Humberto entraríamos um a um no palco e depois cada integrante chamaria os vencedores do consurso para tocar junto com a banda. Visivelmente emocionado, o Aquiles subiu no palco e deu ínicio ao show. Falando da trajetória da banda, todos puderam ver que seus olhos brilhavam ao ver mais de 400 pessoas, dezenas com o "H" no peito. Mais do que uma atitude inédita no Brasil, o "Hangar Day" foi um marco. Evidenciando o quanto estávamos contentes com aquele dia, o Aquiles fez um discurso memorável e emocionante, no maior estilo "pastor metal" e foi chamando um a um demais os integrantes da banda. Quando ele chamou o Humberto e a banda ficou completa, o Blackmore literalmente "caiu". Paramos tudo e ficamos olhando a galera aplaudindo e gritando... memorável. O Aquiles chamou o primeiro selecionado a participar, o Jarlyssom, que entrou no palco e tocou conosco a "Some Light To Find My Way"; depois entrou o Rafa e tocou a mesma música. Na sequência foi a vez do Thiago Bonga tocar "Solitary Mind" e do Ivo e do Vitor tocarem "Collorblind"; depois a Mônica cantou "Time to Forget" e o Diógenes Lima tocou "Infallible Emperor". Pela primeira vez pude ver a banda tocando de longe, com outro baixista, uma sensação no mínimo estranha... rsrs. As participações foram muito bem recebidas pelo público. Todo mundo entendeu a brincadeira "séria" que era aquilo. Alguns participantes eram bem experientes, outros nem tanto, e mesmo assim todos se saíram muito bem. Depois da apresentação individual dos candidatos, todos voltaram ao palco para tocar “The Reason Of Your Conviction”. Estavam emocionados por poderem participar e tocar para várias pessoas em um palco junto conosco. Após estas oito músicas, reunimos toda a galera para as fotos, agradecemos pelo momento e seguimos com o nosso show. Confesso que estava bem cansado do dia todo, mesmo assim, ainda tivemos forças para tocar várias músicas. Uma das coisas legais deste dia foi que pela primeira vez estava tocando com meu novo set de amplificadores e caixas da SWR, uma empresa ligada a Fender. Um ampli fora de série, que fez com que o som de baixo desse um “up” sensacional. Na real, era a primeira vez que tocávamos juntos com as novas guitas “Jackson” do Martinez, os teclados “Korg” do Fábio, meu ampli “SWR” e o Aquiles voltando com a sua “Mapex Deep Forest”, agora pintada de vermelho. O som da banda estava diferente mesmo! Era muita coisa nova ao mesmo tempo... Mais para o final da nossa apresentação sentimos o Aquiles meio mal no palco. Realmente ele estava bastante enjoado e começou a ficar pálido. Talvez tenha sido alguma azeitona no almoço, rsrs. Vai saber... Acabamos cortando duas músicas do set. Nos despedimos e depois de alguns minutos no camarim, onde realmente o Aquiles passou mal, fomos ao encontro dos convidados e fãs para conversas, fotos, autógrafos, etc...

Uma lista incontável de amigos compareceu (e lógico que vou acabar esquecendo-me de alguém): Marina Dickinson, João Duarte, Vanessa Doi, Maria Carolina Angeli, César Pereira, André e Sá, Claudinho Medina, Edi, Glaucy, Roger, Paulinha, Wallace, Moacir, Jully, Ana, Pry e Damáris, Sanedi, Jandira, Felipe, Samara e mais 400 pessoas que estavam lá. Agradeço também a nossa equipe de apoio Daniel Pepe, Rodrigo Batata, Fábio Didi, Dinho e a incansável Bruna Fonte, que ajudou o tempo inteiro, sempre se colocando à disposição para todos os problemas... Ainda em tempo, agradeço ao Marcelo, da Pride Music, que esteve presente durante a passagem de som para que fizéssemos vídeos sobre nossos novos equipamentos SWR, Korg, DDrum e Jackson, o Vínicius e o Zé da Free Note e o pessoal do Blackmore e os vencedores do concurso Hangar Day, Mônica, Ivo, Vítor, Dio, Thiago, Rafa e Jarlysom pelo dia maravilhoso de confraternização. De maneira alguma alguém poderia imaginar que praticamente 14 anos após o surgimento a banda estaria em São Paulo comemorando um dia inteiro com o inédito Hangar Day. Foi muita emoção.

Curitiba

Após um merecido descanso até a noite de domingo, dia 13, preparamo-nos para mais uma viagem em direção ao sul. Nossa primeira etapa seria Curitiba, na segunda-feira, dia 14, para aulas na escola do Joel Jr., a Drum Time. Saímos de S.Paulo às duas da manhã de segunda e em uma viagem tranquila chegamos a Curitiba, por volta das 9 da manhã. Após um tempo para encontrar um local adequado para estacionar o Infallibus rumamos para a Drum Time. Encontramos o Joel já na porta da escola onde largamos nossas mochilas e logo em seguida fomos almoçar em um restaurante sensacional, propriedade do irmão do dono do restaurante onde almoçamos no sábado em São Paulo, no Hangar Day. Como somos clientes assíduos tanto em São Paulo quanto Curitiba, logicamente rolou aquele desconto esperto na hora de pagar a conta, rsrs. Voltamos para a escola e durante a tarde enquanto alguns recebiam seus alunos, outros em intervalos distintos recebiam as visitas dos nossos amigos queridos de Curitiba, a Luma, o Alex, a Lohanna, Cris Helen e a Dani vestida de aeromoça... haha entreguei Dani, sorry. À noite conseguimos um lugar seguro para o ônibus e fomos jantar. Mais tarde, alguns tiveram insônia e foram tomar “água que passarinho não bebe” em uma conveniência de um posto de gasolina próximo.

Na terça-feira, dia 15, após o meio dia despedimo-nos do Joel, que àquela altuta já devia estar dando graças a Deus pela multidão do Hangar ir embora, rsrsrs e rumamos para o Shopping Barigui. Fomos direto a FNAC montar o equipamento e acertar os detalhes sobre o lançamento da biografia do Aquiles. Tocar nas lojas da FNAC sempre é muito bom, é algo diferente e o atendimento do staff da loja é sempre excelente. Geralmente o público fica sentado e participa muito. Mais uma vez reencontramos os amigos Alex, Luma, Cris, Lexus, Dani, Zé do Cartaz e mais uma centena de pessoas e fãs da banda. O Aquiles falou bastante da biografia e batemos um papo muito bom com todos que se aventuravam a perguntar sobre qualquer coisa. As músicas foram cantadas e muito aplaudidas. Nas partes engraçadas mais uma vez ovacionamos a nossa máquina de cartão de crédito da Cielo, que tornou-se um evento a parte dentro da festa. Após o show, recebemos todos, mas a esta altura, quase onze da noite a correria foi grande para desmontar tudo e sair a tempo do Shopping. Perto da meia noite partimos de Curitiba direto em direção a Porto Alegre.

Gravataí e Porto Alegre

Antes de chegar a Porto Alegre, passamos na fábrica da Harman (ex-Selenium) e batemos um papo rápido com o Fábio Floriani, diretor, reforçando o convite para o pocket show de sexta-feira, dia 18, na Fnac de Porto Alegre. Seguimos direto para a casa do Martinez e deixamos por lá o próprio, o Fábio e o Humberto. O restante do pessoal, Aquiles, Daniel, Rodrigo e o Fábio seguiram para a minha casa em Gravataí. Chegamos a tardinha. Quinta-feira, dia 17 de março, foi dia para manutenção do Infallibus. Enquanto o Aquiles, o Rodrigo e o Daniel rumaram no meu carro para Porto Alegre para comprar alguns cabos que estavam falatando e visitar o Rafa Dias no Batera Store, eu e o Fábio Didi fomos tratar de arrumar local para troca do óleo, manutenção das lampadas e mais algumas coisas pequenas. Felizmente conseguimos fazer tudo em um raio de 1km de distancia. O bairro onde moro tem esta vantagem que nem eu mesmo sabia, é tudo muito perto.

Na noite de quinta, todos fomos até a cidade de Portão, próxima à Porto Alegre, na casa do Rodrigo, da Urban Boards, que nos convidou para um churrasco. Carne de primeira, cerveja gelada... Agradecemos demais a imensa hospitalidade dos irmãos Rodrigo e Raquel. Claro, alguns abusaram da “água que passarinho não bebe”... E na volta, uma pessoa ficou “meio alterada” e começou a morder todo mundo dentro de Infallibus... No dia seguinte, todos da banda e da equipe (exceto um, que vou deixar a imaginação de vocês descobrir) estavam com tatuagens de dentes nas costas, braços, pescoço. O Ministério da Saúde adverte: se beber, não morda, rsrsrs.

Sexta-feira a tarde fomos para o Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, para montarmos o equipamento. Um pequeno stress no estacionamento do busão na porta da FNAC e o desaparecimento do cabo da máquina de cartão da Cielo indicavam que seria uma tarde estranha, mas felizmente foi somente isso. Porto Alegre nos recebeu de braços abertos. Ficamos muito felizes de ver a FNAC super lotada. Na real, faltou lugar. Além dos meus familiares, os do Aquiles e do Martinez, que costumeiramente comparecem em todos os eventos próximos, tivemos a presença de vários amigos e pessoas ilustres da música na cidade. Amigos como o Marcelo Rodrigues, o pessoal da banda Oniggatai, a Mônica Souza, o Chileno e o Luciano do Tierramytica, o grande baterista Kiko Freitas, um dos mais respeitados do Brasil no seu instrumento, Frank Jorge, coordenador do curso de Formação de Produtores de Rock da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o Diretor da Harman, Fábio Floriani, que foi homenageado pela banda com dois quadros com a nossa imagem e o Infallibus, sonho que somente se realizou devido a sua chancela ao projeto e vários amigos e fãs. A homenagem ao Fábio e à Harman foi marcante. Esperei pelo discurso dele mas a emoção foi tão forte que ele não conseguiu falar. Atendemos todos até a loja fechar e depois fui para casa enquanto os demais saboreavam um jantar em um restaurante do shopping.

Santo Ângelo e a confusão

Dia 18, sábado partimos em direção a Santo Ângelo por volta das cinco da manhã. Perto do meio dia chegamos a Ijuí onde almoçamos com o pessoal da banda Excellence, que organizou nosso show ano passado no SESC da cidade. Um grande abraço ao Lucas, Marcos, Robson, Pimenta e ao pessoal que nos recebeu muito bem. O show de Santo Ângelo foi firmado quando da nossa passagem pela cidade em dezembro. O Alex Chimú, que foi nosso anfitrião na época, tinha vontade de levar uma banda e colocar um show na cidade há certo tempo e, movido pelo sucesso do workshop de dezembro, marcou a data para 18 de março. O grande problema é que ele associou-se a uma casa de show da cidade chamada Yallah que a principio sempre deixou claro sua intenção de fazer o evento e o Chimú ficaria como divulgador. No decorrer dos meses de janeiro e fevereiro sempre cobrei o contrato do referido produtor da casa sem sucesso. No inicio de março ele me ligou e disse que estava tudo certo e que não precisava me preocupar. Abonado pelo Alex seguimos com o acerto. O que aconteceu é que faltando sete dias para o evento a casa simplesmente fechou, sem dar explicação nenhuma quanto a nossa data. Já estávamos com a agenda prevista para Porto Alegre, então entre cancelar o show e tentar outra uma alternativa, pedi ao Alex que desse um jeito de conseguir outro lugar. Quando chegamos em Santo Ângelo o lugar era realmente indescritível, completamente fora de qualquer possibilidade de realizar um show. Um galpão precário com fiação exposta, apenas uma entrada e saída. Ficamos todos chocados pelas condições. A decisão seria ir embora e não tocar, até que o dono do local sugeriu que fizessemos o show em um outro local de sua propriedade. Fomos até lá e o mesmo tinha um palco apropriado e muito espaço, no centro da cidade. Tivemos que tomar uma decisao em cima da hora em respeito às pessoas que já estavam se deslocando para o show. Resolvemos fazer um acústico às pressas. Não havia outra saída a não ser o improviso. Mesmo assim o show foi animado e surpreendeu muita gente. Contamos mais uma vez com a ajuda dos amigos Mauriel Ourique, o Caco Garcia, as queridíssimas Patrícia “Borgir” Cordeiro e Débora Reoly, Eduardo Cadore, além de pessoas que sempre nos acompanham na região como o “Alemão” Thiago, a Elisa Conceição, o pessoal da banda do Alex, João, James, Moita, a Luana e Geovana Marques, o Patrick Alexander o Deivis, o Mauricio, a Kitty Rigoli, irmã do Marcos, o Matheus Rigoli, a Talitha e a Drica, a jornalista que nunca nos entrevista... kkkk. O prejuízo moral e financeiro foi uma constante que ficou na minha cabeça nesse dia, mas não teria como não darmos uma satisfação para esta galera. Ficou a lição e na realidade em tantos anos de carreira acho que foi a segunda vez que aconteceu algo deste tipo. Ficou a vontade de todos de quem sabe a gente volte em breve para preencher esta lacuna na região das Missões. No final, mais uma vez nos dirigimos para o único restaurante aberto na cidade, fizemos um lanche já por volta das duas da manhã e seguimos para o hotel. Por volta das dez da manhã saímos da cidade em direção a Porto Alegre, onde deixamos o Fábio no aeroporto para que voltasse para casa mais rápido e curtisse os seus dez dias merecidos de férias e depois seguimos novamente para Gravataí.

A segunda-feira seguiu com aulas do Aquiles no Bateras Beat, enquanto fiquei em casa com o pessoal e providenciamos um churrasco para a noite. Deixei os três paulistas irem comprar a carne e decidimos fazer na grelha, tipo bife. Quando o Fábio, o Daniel e o Rodrigo chegaram com a carne eu achei engraçado, eram três bifes grossos e grandes e mais ou menos uns três quilos de linguiça, ou salsichão como é conhecido aqui nos pampas. Voltei ao açougue e pedi para o cara cortar aqueles bifes grandes bem “finos” e pequenos. Os três bifes resultaram em uns 12 pedaços pequenos e acabei comprando mais um pouco de carne pra sustentar a rapaziada. Ou seja, estes paulistas que estavam aqui em casa não entendem nada em matéria de churrasco. O Martinez e o Humberto vieram e a confraternização rolou até a meia noite.

Carlos Barbosa

No dia 21, terça, o Aquiles e eu fomos até a Escola Universal Fênix, de Carlos Barbosa. A cidade fica no pé da serra gaúcha, a cerca de 100km de Gravataí. O Aquiles daria umas aulas por lá e resolvemos ir sozinhos, ficando o resto da galera na minha casa. Chegamos para almoço e conhecemos o pessoal da escola, em especial o Macally. Já não bastou o nome, ainda a figura era especial. Um bom humor sem igual. Lógico que ele acabou virando o “Maccaly Culkin” e depois o “Maccally Festas”, tamanha a festa que ele realmente é. Cidade simpática, pessoas simpáticas, ficamos o dia todo por lá. Enquanto o Aquiles trabalhava eu passeei pela cidade, fui a bancos, praças e aproveitei o sol e a temperatura que somente a serra deste estado apresenta. Um legítimo passeio pelo interior. No intervalo visitamos a loja da Tramontina, que vende produtos mais baratos. No final da tarde nos reunimos com o Maccally e o Leandro que são sócios em alguns eventos e aproveitamos para tratar do nosso show ou workshow na cidade no mês de junho. Foi um dia bem legal e voltamos direto para Porto Alegre para passar no nosso amigo Hebert Shred, onde recolhemos nossos bags que estavam no conserto. Voltamos para Gravataí por volta das nove da noite e fomos jantar em uma lanchonete próxima de casa. O Fábio Didi já havia descansado bastante e eles deveriam seguir viagem partindo de Gravataí à meia noite com destino a Brusque. Voltamos pra casa e o pessoal recolheu as malas e deixaram o ônibus pronto. O Martinez resolveu ficar em Porto Alegre e acabou somente trazendo o Humberto até Gravataí. A meia noite o Infallibus partiu da Morada do Vale em Gravataí. Gravei a partida para lembrar depois. Foi meio estranho, eu ficando em casa e o ônibus indo embora com os caras. Durante os dias que ficou aqui o bairro literalmente adotou o ônibus e por onde íamos todos comentavam e achavam o máximo “o ônibus do Hangar ali na frente da casa do Fernando“. Sim, as pessoas me conhecem aqui por Fernando...

No dia seguinte em Brusque aconteceu o workshop do Aquiles , mas ai eu já não estava presente. Em abril voltaremos com mais um diário do Hangar. Vamos passar por Itumbiara e Uberlândia, ou seja, Goiás e Minas. Muito pão de queijo e pamonha, uai. Aguardem!

Abril...

Itumbiara

No início de abril, o Aquiles esteve em uma feira na Europa, a Musik Messe. Assim, tivemos que marcar as datas da banda perto da metade do mês. No dia 11 viajamos para São Paulo onde nos encontramos. E no dia 12 seguimos viagem para Itumbiara, a cerca de 750 km de distância. Estivemos lá em 2009, o Aquiles e eu, então já conheciamos bem o caminho. Nosso anfitrião e produtor na cidade é o Hiury Garcia, grande baterista e um cara simplesmente muito bacana e gente fina. Chegamos na note do dia 12 e seguimos direto para a casa da avó do Hiury, que nos esperava com uma saborosa comida caseira goiana de primeira qualidade. Banda e equipe jantaram “feito bichos”, como costumamos falar. Depois para o hotel onde descansamos. Na quarta-feira, dia 13, seguimos para o complexo da Universidade Luterana (ULBRA) onde foi realizado o workshow. Após algumas dificuldades para estacionar o Infallibus no campus, finalmente conseguimos ter acesso ao Auditório principal da Universidade. Passamos o som e à noite contamos com a presença de 200 pessoas no evento. Na mesma hora, na frente da ULBRA, estava sendo realizado o “aniversário do prefeito”. Isso mesmo, interior é assim, comemoram o aniversário do prefeito com um show de uma grande dupla sertaneja, mas que não lembro o nome. Ficamos todos falando sobre isso, que quem deveria estar pagando aquela festa toda seriam os próprios contribuintes da cidade. Ponto negativo para Itumbiara, em compensação o workshow foi um sucesso. Muita gente que esteve em 2009 voltou trazendo mais convidados. O público de rock em Itumbiara é na sua maioria “evangélico” e na hora do bate papo eu me dirigi a eles como “não sendo evengélico, algum problema???”, rsrs. Acho que eles ficaram assustados com a minha afirmação, mas lógico que tudo não passou de uma grande brincadeira e caímos todos em gargalhadas gerais. Uma constatação deste dia foi a grande discriminação na cidade com o rock de maneira geral. Foram muitas as reclamações das pessoas que foram ao work sobre a falta de apoio total. A maneira como eles me falavam sobre isso me lembrou de anos atrás, lá nos anos 80, quando ainda havia certo preconceito, mas em 2011, isso soa estranho. Itumbiara ainda não abriu as portas para a sua juventude rockeira, uma pena. Fazia muito tempo que eu não presenciava isso. Na quinta-feira, ficamos o dia todo na cidade, pois tínhamos algumas aulas marcadas em uma escola. Aproveitamos também para visitar uma loja de instrumentos que acabou ficando com material nosso para venda na cidade. Foi mais um dia agradácel em Itumbiara. Almoçamos e jantamos novamente na casa do Hiury e jogamos muita conversa fora.

Uberlândia

Na sexta pela manhã, dia 15 saímos bem cedo de Goiás e seguimos para Uberlândia. Fomos recebidos pela Tatiana Ribeiro, nossa grande amiga na cidade. A Tati é responsável pelos nossos vários workshops e aulas em Uberlândia desde 2008, além de trabalhar no Conservatório Estadual de Música na cidade. Às dez horas o Aquiles já estava no Conservatório com os seus alunos, todos agendados. Seria um dia bem puxado para ele, enquanto os outros apenas descansavem no hotel ou passeavam por Uberlândia. Por volta do meio dia fomos até uma rádio para promover o show. Os produtores do show eram o Thiago e a Jenia e eles nos pegaram no hotel. A rádio era bem pop rock, quando chegamos estava tocando Nickelback. O locutor nos disse que a audiencia era mais de um milhão de pessoas. Já achei estranho... Começamos o papo e de cara vimo que o locutor não sabia nada da banda, algo até que normal para uma rádio do interior, mas estranho para uma rádio de rock que estava apoiando o evento. Na primeira intervenção o Humberto já saiu falando sem se apresentar e eu que estava gravando tudo no meu Q3, da “Zoom”, fiz gestos e falei baixinho ... ”fala quem é você que aqui não é televisão”. Todos começaram a rir. A primeira confusão, como sempre... Papo vai, papo vem, saquei três ingressos para sorteio e o locutor disponibilizou os mesmos para os primeiros que ligassem... Passou um minuto e nada de alguém ligar... Aí o cara falou ”é, como ninguém ligou vamos deixar os ingressos ali na portaria esperando as primeiras ligações”... Todos da banda começaram a rir e o locutor não sabia onde enfiava a cara. Até hoje eu não sei se a rádio realmente tinha “um milhão de ouvintes” rs, enfim...

Neste dia, pela primeira vez colocamos em prática a palestra “Aquiles Priester, de fã a ídolo”. Às 19 horas a sala estava cheia, com cerca de 200 pessoas que assistiram o Aquiles falar sobre a sua carreira e sua experiência como músico. A plateia gostou tanto que faltou espaço para as perguntas e bate papo, já que extrapolamos os horários. Foi uma experiência muito legal e com certeza será levada a todas as regiões do Brasil. Obrigado a Tatiana e ao Conservatório por abrir este espaço muito importante. À noite saímos todos para comemorar no centro de Uberlândia onde conhecemos o pub de um amigo. Uma banda de covers tocava enquanto alguns conversavam e outros saboreavam algum tipo de líquido com um pouco de álcool dentro... Nada muito exagerado porque o show seria no dia seguinte. Sábado chegou e a equipe foi para a casa do show. O local era fantástico. Excelente palco e infraestrutura. Tanto o Thiago quanto a Jenia se empenharam bastante para que tudo desse certo. Um grande público compareceu e o show foi um sucesso. Podemos rever todos os amigos de longa data e conhecer novos admiradores. Partimos para São Paulo na manhã do dia seguinte e cada um retornou para as suas bases, Porto Alegre, Gravataí, Mococa e Manaus.

domingo, 10 de abril de 2011

Bandas que mais venderam no mercado americano.

Nas discussões de colégio na hora do recreio, na espera por um show de rock, na sala de ensaio, onde quer que seja sempre naquele bate papo entre "experts" de música que seguem mais o coração do que qualquer coisa começam discutir, qual banda é maior, qual vendeu mais etc...então como o mercado americano é um dos parametros para avaliação , segue ai a lista das bandas que mais venderam em todos os tempos nas terras do tio sam...
A lista inclui somente bandas e não artistas solo ou artistas solo mais bandas de apoio...Tirem as suas conclusões....
Fonte RIAA - Record Industry Association of America

1 - The Beattles - 177 milhões
2 - Led Zeppelin - 111
3 - The Eagles - 100
4 - Pink Floyd - 75
5 - AC/DC - 71
6 - Aerosmith - 67
7 - Rolling Stones - 66
8 - Metallica - 60
9 - Van Halen - 57
10 - U2 - 52
11 - Fleetwood Mac - 49
12 - Journey - 47
13 - Alabama - 46
14 - Guns N Roses - 44
15 - Chicago - 39
16 - Foreigner - 38
17 - Basckstreet Boys - 37
18 - Deff Leppard - 35
19 - Bon Jovi - 35
20 - Queen - 33
21 - The Doors - 33
22 - Pearl Jam - 32
23 - Boston - 31
24 - Dixie Chics - 30
25 - Lynyrd Skynyrd - 28
26 - N Sync - 28
27 - Boyz II Men - 27
28 - Bee Gees - 26
29 - Creedence - 26
30 - Rush - 25
31 - ZZ Top - 25
32 - Nirvana - 25
33 - Creed - 25
34 - The Carrs - 23
35 - Motley Crue - 23
36 - Earth , Wind and Fire - 23
37 - Green Day - 23
38 - The Police - 23
39 - Reo Speedwagon - 22
40 - Beatie Boys - 22
41 - The Doobie Brothers - 22
42 - Red Hot Chilli Peppers - 22
43 - Genesis - 22
44 - The Beach Boys - 22
45 -Heart - 22
46 - The Who - 21
47 -Nickelback - 21
48 - REM - 20
49 - Linkin Park - 19
50 - Kiss - 19


Músicas que marcaram : Capítulo quatro - Desperado - Eagles


Eu até poderia ter escolhido "Hotel California", o símbolo máximo da música desta banda , mas tenho uma preferência por "Desperado" pelo conteúdo da letra e por ser uma balada. Pra quem não sabe Eagles é a terceira banda que mais vendeu em todos os tempos nos EUA somente atrás de Beattles e Led Zeppelin. Enquanto "Hotel California", o disco e música foram lançados em 1976, "Desperado" nasceu tres anos mais cedo em 1973. Indo ao encontro da temática bem americana de "estrada", "cowboys solitários", "easy riders" e afins, as letras das duas músicas se encontram em diversos pontos , mas de maneira distinta, uma mais metafórica e outra mais real. "Hotel California" narra a viagem de um cowboy solitário pela estrada até chegar em um lugar de prazeres, jogos, mulheres, bebidas e tudo agradável que você possa imaginar. A imagem dúbia que você pode estar no céu ou no inferno ao mesmo tempo. A busca pela verdade que se revela no último verso quando o porteiro do "Hotel" fala que "você até pode pagar a conta mas nunca poderá sair daqui". O tema gira pelo "hedonismo" , as coisas loucas que a fortuna e vida da estrada podem te oferecer e a oportunidade que você tem de nunca mais sair daquele local se não souber levar a sua vida de maneira no mínimo menos insana. "Desperado", que não significa "desesperado", mas sim "pistoleiro" ou "fora da lei", fala do momento anterior ao de "Hotel California", mais pé no chão. A letra fala claramente sobre isso, com mais realidade. Do tempo que está passando, das dificuldades e principalmente das escolhas que podem te levar a vários caminhos. O verso com "a dama de diamantes e de copas" é bem explicito sobre o assunto. O final também é revelador pois mesmo com "chuva" ainda temos um "arco-íris" sobre nós, mesmo na dificuldade, nada está perdido e sempre "você pode deixar alguém te amar antes que seja tarde demais" independente se for a dama de diamantes ou a de copas, cabe a você fazer a escolha. "Desperado" é um clássico que deve ser ouvido em momentos únicos. Uma ótima pedida para momentos solitários na estrada ou como "Paixão" de Kleiton e Kledir, ótima para dançar com alguém que você considere especial em uma noite de verão rodeada pelos raios de uma lua crescente regada com uma boa taça de vinho 'gaúcho". Faça o teste e cante-a bem baixinho no ouvido de alguém...depois ela até pode esquecer, mas você com certeza jamais...ops.

Desperado - Eagles - 1973

Why don't you come to your senses?
You've been out ridin' fences,
for so long now
Oh, you're a hard one
but I know that you've got your reasons
These things that are pleasin' you
can hurt you somehow

Don't you draw the queen of diamonds boy
She'll beat you if she's able
You know the queen of hearts is always your best bet
Now it seems to me some fine things
have been laid upon your table
But you only want the ones
that you can't get

Desperado
Oh, you ain't getting no younger.
Your pain and your hunger,
they're driving you home
And freedom, oh freedom
well that's just some people talking.
Your prison is walking through this world all alone

Don't your feet get cold in the winter time?
The sky won't snow and the sun won't shine
It's hard to tell the night time from the day
And you're losing all your highs and lows
Ain't it funny how the feeling goes
away...

Desperado
Why don't you come to your senses?
Come down from your fences, open the gate
It may be rainin', but there's a rainbow above you
You better let somebody love you
(let somebody love you)
You better let somebody love you
before it's too late.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Diário Hangar - Setembro 2010 a Fevereiro de 2011

A última vez que escrevi sobre nossas andanças pelo país foi em setembro, quando falei sobre a tour que fizemos pelo Nordeste. Agora começo novamente a contar o que aconteceu com a banda nos últimos seis meses. Recordar é viver, então vamos lá!

SETEMBRO

Em setembro tivemos eventos importantes como o “Stay Heavy Metal Stars”, onde nos apresentamos como uma das bandas principais junto com o Torture Squad. Este evento é muito especial, porque é onde sempre encontramos "amigos e inimigos", como disse certa vez o vocalista André Matos. Também participamos da jam com músicos convidados. (Toquei uma música do Dream Theater chamada “Another Day”). Os músicos do Scorpions estavam em São Paulo e acabaram assistindo aos shows.

No final do mês, mais uma vez participamos da ExpoMusic. Foi o quinto ano consecutivo em que tocamos em vários stands como Harman, Royal, Musical Express, AMI, além de termos firmado mais uma parceria essencial com a Pride e as guitarras Jackson, teclados Korg e DDrum. No decorrer da feira encontramos grandes amigos e celebramos o aniversário de lançamento do nosso mais novo álbum, “Infallible”, que esgotou antes do final da feira.

Setembro chegou ao fim e decidimos, por motivo de força maior, que tiraríamos um pouco o pé da estrada nos meses de outubro e novembro.

OUTUBRO E NOVEMBRO

Aproveitamos estes dois meses para a realização de alguns workshops. Estive em Criciúma, Ijuí, Itajaí, Itapema, o Martinez em Tubarão e Caraguá, o Fábio em Varginha e Brusque.

No final de novembro nos reunimos para um show com a banda Korzus em Ceilândia, no Distrito Federal. Viajamos as duas bandas juntas no Infallibus. Você pode imaginar a grande confusão que a viagem virou? Viajar com a banda completa mais a nossa equipe já é uma grande aventura, imagina como é viajar com mais uma banda? Afinal, são todos temos costumes diferentes, valores diferentes... Então é sempre um grande desafio colocar tantas pessoas juntas em uma mesma viagem. Mas correu tudo bem na hora do show (apesar de ter caído uma chuva torrencial) e voltamos para casa muito satisfeitos.

DEZEMBRO

No dia 7 fizemos o lançamento da biografia do Aquiles na Fnac em São Paulo. O set acústico foi muito bom e o público como sempre compareceu em massa. O Aquiles estava muito feliz com o evento e fez um discurso que deixou todo o público muito emocionado.

Logo depois, no dia 10 o Fábio esteve em Leme para um workshop e já começamos a nos preparar para as férias de final de ano. Como o Aquiles estava indo viajar para o sul, marcamos um workshow conjunto comigo e o Martinez em Santo Ângelo para o dia 16. Mais uma vez voltamos à região das Missões com muito sucesso e casa cheia e reencontramos os amigos Mauriel Ourique, Déborá Reoly , Eduardo Cadore e Patricia Cordeiro novamente.

JANEIRO

Começamos o ano com pé direito. Pela primeira vez estávamos com agenda para esse mês e também para o mês seguinte.

Aquiles viajou para a NAMM (Los Angeles) onde fez o lançamento internacional do seu DVD pela conceituada Mel Bay, e também um workshop no Paiste Day, que aconteceu no Musician Institute. Enquanto isso nós fizemos workshops por aqui. O Humberto esteve em São Luís, Teresina e Manaus, o Martinez em São Luiz Gonzaga e eu em Cruz Alta.

FEVEREIRO

Nos reunimos novamente no dia 11 para ensaios em Tatuí (São Paulo). Passamos três dias insanos ensaiando 30 músicas, sendo 29 com a banda e mais uma solo do Aquiles. (Algumas pessoas acham que é muito preparamos 30 músicas, mas é bom ter muitas opções no setlist, pois assim podemos variar o show todas as noites.) Colocamos duas músicas do Freakeys no set e achei muito legal tocar essas músicas pela primeira vez.

Um dos lances mais legais que vimos no sítio foi o Martinez arrumando a mala de viagem dele. Ao contrário de nós, que arrumamos a mala na horizontal colocando as roupas na mesma posição, o sr. Eduardo coloca a sua mala na vertical e vai arrumando as suas coisas nesta mesma posição. Claro que isso casou a maior estranheza na galera afinal nunca tínhamos visto algo assim! Enfim, o Martinez marcou mais alguns pontos na pitoresca história da banda.

Ribeirão Preto

Viajamos para Ribeirão Preto na segunda pela manhã, chegamos à Guitar Music às 11h e já começamos a montar o palco. Era a estréia da nossa nova equipe de Roadies (ou Holdens, como explica o Aquiles a cada show ou apresentação), o Rodrigo "Batata", a Arcilio "Shrek" Bacci e o Guilherme "Vacão".

Às 17 horas já havia várias pessoas na porta da loja. Iniciamos o workshow com a loja lotada e o Aquiles tocando algumas músicas sozinho, na sequência comigo, depois com o Martinez, o Fábio e por último com o Humberto. Na platéia estavam velhos amigos como o Bola, o Leonardo e a querida Érica Fratucci que levou junto a família toda para a "festa".

Londrina

Na madrugada seguimos em direção à Londrina e não demorou para que chegasse uma chuva que refrescou um pouco a noite mas deixou o tempo bem instável. Quando chegamos, o pessoal da Sonkey já estava esperando por nós. O work aconteceu dentro do próprio hotel em que estávamos hospedados, então logo depois de uma montagem bem rápida do equipamento, todos puderam descansar um pouco. O auditório era bem grande, mas mesmo assim todos os lugares foram tomados. Nada mal para uma noite de terça-feira, mais um sucesso!

Antes do work apareceu uma TV local para fazer uma entrevista e fomos até a loja Sonkey para gravar. No maior esquema "pastelão e comédia Hangar", o Aquiles assumiu o microfone como entrevistador e nós obviamente como cobaias. Toda vez que vejo uma câmera por perto eu saio correndo, mas dessa vez não teve jeito, eu tive que entrar na brincadeira!

Logo em seguida tivemos que colocar o pé na estrada para conseguirmos chegar à Goiânia o mais cedo possível. Então saímos de Londrina às 2h da manhã com uma puta cheva.

Quem consegue dormir dentro de um ônibus na madrugada úmida de uma estrada horrível pensando que são 900km até a próxima parada??? Todos menos eu e o motorista, Fábio. Bom talvez o Aquiles pela adrenalina custe um pouco a dormir, mas quando o filme que está no DVD já rodou uns 50 minutos, pode ter certeza que já está todo mundo dormindo.

Goiânia

Chegamos a Goiânia às 16h da quarta-feira, e como o workshop estava marcado para as 19h30 foi a maior correria! (Quando chegamos pela manhã à cidade onde vamos tocar, a equipe nos chama para passar o som com umas cinco horas de antecedência, enquanto que quando chegamos em cima da hora, esse tempo diminui para umas duas horas e meia. No mínimo estranho, mas eu aposto que quanto mais tempo livre, mais a preguiça ataca! rs)

Encontramos o Pedro da Hi Cup produções e o pessoal da Harmonia Musical. Pela terceira vez eu tocava no Martin Cerere, um complexo com dois grandes teatros em forma de abóbada ou planetário. As cadeiras foram todas ocupadas e algumas pessoas ficaram em pé na porta e nos corredores ao lado.

Uma das novidades deste workshow foi que tocamos pela primeira vez "Crazy Train", um cover do Ozzy, com o Laguna fazendo os vocais e surpreendo a todos com a sua performance. O pessoal estava realmente empolgado e tocamos muitas músicas que nem estavam no set, como o meddley do Iron e “Master of Puppets”. Para a minha surpresa, na última nota da última música que tocamos, num gesto espontâneo todos se levantaram para nos aplaudir. Eu fiquei parado olhando curtindo muit o aquele momento.

Anápolis

Fiquei no teatro para acompanhar o pessoal enquanto o carregavam o Infallibus e acabei saindo de lá para o hotel às 4 da manhã. Por sorte a cidade de Anápolis fica a 50km de distância, então pudemos descansar e saímos logo depois do almoço.

Um medo que eu sempre tive nessas viagens foi de acabar tendo uma dor de barriga no meio daqueles caminhos de asfalto sem fim e não ter um banheiro para usar. Finalmente esse dia chegou, na estrada de Goiânia para Anápolis. Pare o ônibus que eu quero descer! Sorte ter encontrado um “santo” posto de gasolina no meio do caminho... Por sorte o pessoal ainda estava meio zoado de sono e não pegou no meu pé.

Chegamos ao teatro do SESC lá pelas duas da tarde. Estes teatros sempre são ótimos, têm toda uma ótima infra-estrutura. Enquanto o pessoal montava e outros descansavam eu e o Aquiles fomos até o centro da cidade para comprar um novo aparelho de DVD para o Infallibus, pois o anterior já estava recusando algumas mídias e isso estava gerando um stress sem tamanho. Como iríamos dormir a noite sem um DVD pra ficar rodando no aparelho? Se não tiver a onda da TV te atingindo parece que ninguém consegue dormir, como diz o Humberto. Enfim, naquela noite mais uma vez o teatro não foi suficiente para o número de pessoas que estavam lá para verem o nosso show.

Encontramos a nossa amiga Pepita Afiune, com sua camiseta do TROYC. Descobri que ela é graduada em História da Arte, leciona em uma escola, e como eu cursei e até lecionei história por um tempo, acabamos conversando sobre o passado e nada de metal. Imagino aquele papo cabeça sobre o porquê do símbolo Ankh atrai tantas pessoas e seu significado no antigo Egito... Enquanto isso o Martinez já passava o som de guitarra em um volume ensurdecedor, e quem quer saber se "Hórus" filho de"Ísis", matou "Seth" vingando o pai "Osíris"? É mui ta coisa pra cabeça de metaleiro! rs O work foi muito legal, com participação direta de todos, mas uma pena que se tratando de instalações do SESC , os horários tivessem que ser seguidos à risca, então tivemos que encerrar um pouco mais cedo.

Para variar uma chuva desabou sobre Anápolis, e pelo nosso cronograma deveríamos sair as duas da manhã e viajar 1450km, passando por cinco estados, até Timbó (Santa Catarina).

Timbó

Saindo as duas da manhã de Goiás, mais uma vez passamos o dia inteiro viajando. Sabíamos que seriam cerca de vinte horas e o Fábio estava bem disposto. Quando você tem que viajar assim por muitas horas só resta aquela velha frase: "relaxa e goza", porque não há nada mais a ser feito. Algumas paradas para tomar café e quilômetros e mais quilômetros de muita estrada.

Às 22h chegamos a Timbó, uma pequena cidade próxima a Blumenau, onde haveria um workshop do Aquiles na tarde de sábado e um show nosso à noite. Fomos direto para o hotel onde liguei para o nosso anfitrião, Jarbas, que é o Diretor de Cultura da cidade. Após uma pausa de quinze minutos saímos em direção ao local do jantar. Já eram quase onze da noite e chegamos ao restaurante que estava fervilhando de pessoas. Enquanto nossos amigos "holdens", marinheiros de primeira viagem não acreditavam na quantidade e na beleza das mulheres catarinenses, o Jarbas chegou para nos receber e soltou a frase mágica "podem pedir tudo que está no cardápio". Ouvir esta frase depois de vinte horas de viagem fez com que todos deixassem suas carrancas de lado e as duas mesas viraram uma grande festa. Próximo da uma da manhã, já com alguns "holdens" "prá lá de Bágda" devido ao excesso de suco de laranja e Coca-Cola, voltamos para o hotel. Quando cheguei ao hotel a chave não estava na recepção e pra variar, o Martinez – que estava com a chave – havia sumido. E lá vai o Mello atrás do Martinez que estava com a chave!

No dia seguinte, às 9h saí com os "holdens" para o local dos eventos. Voltei lá pelas 11h fui até a praça principal da cidade onde estava acontecendo o Segundo Encontro de Bateristas da cidade, um evento bem bacana que reuniu cerca de quinze bateras tocando ao mesmo tempo. (Ouvir um já é um problema, imagina quinze! Todos tocando a levada e o refrão de "Smoke on the Water" por trinta minutos. Legal, né?? rs) Brincadeiras à parte, a iniciativa foi muito bem planejada e hoje o Festival tem de tudo para ser destaque nacional nas próxi mas edições. Encontrei no evento todo o staff da Cultura de Timbó, o Jarbas e sua equipe, a Francielle, o Diorge, a Carol, o Luís, pessoas com quem eu havia falado somente por telefone e agora conhecia pessoalmente.

Às 15h eu e o Aquiles seguimos para o workshop. Quando chegamos lá, o nosso amigo Éder Medeiros, de Tubarão, ainda estava tocando o seu set. Qualquer evento com cerveja sempre é um problema e workshop pior ainda. O calor estava infernal, o local era muito grande e com acesso gratuito do público. Em meio a tudo isso, um engraçadinho tentou aparecer mais do que todos e teve que ir embora bem quieto após receber uma resposta de acordo com a sua brincadeirinha. Não é sempre que isso acontece, mas é sempre bom saber como agir nesses casos. Voltamos para o hotel para a preparação do show que faría mos à noite, que seria no mesmo local do workshop, então o equipamento estava todo pronto.

O show transcorreu normalmente. No início parecia que o pessoal estava meio “frio”, mas logo a galera se soltou. Terminamos cedo e deu tudo certo, tanto para o pessoal da Prefeitura quanto para a banda. Chegamos no hotel e por azar subi no mesmo elevador com o Aquiles e o Humberto, o que não é nada bom... Quinze segundos depois começou o “shake” de Mello no elevador. Na primeira batida a porta entortou e o elevador parou no segundo andar. O nosso quarto ficava no terceiro andar, então os dois abriram a porta com força e saíram com pressa para não serem descobertos. Como as câmeras de segurança já haviam gravado tudo mesmo, não tive pressa nenhuma para sair de lá... (Crianças, não re pitam isso em casa ou nas suas férias!) Voltei para o quarto torcendo para que o elevador voltasse a funcionar...

Itajaí

Saímos de Timbó às 11h e seguimos até Itajaí. Foram cerca de 70 quilômetros, uma viagem bem rápida. Chegando lá, um calor de mais de 30º nos esperava. Itajaí é o começo de um número sem fim de praias paradisíacas que a costa catarinense nos oferece.

Chegando lá, nos encontramos com o Lúcio da banda Christmess que nos recebeu com muita alegria. Ele estivera no nosso show em Brusque ano passado e depois eu mesmo estive na cidade para um workshop no Auditório da Biblioteca Municipal em outubro. Logo em seguida chegaram o Ozéias Rodrigues e o Marcelo, além do casal Luís Augusto, o Guto e a Bianca Aguiar, que já assistiram – se não me engano – uns cinco ou seis shows nossos, sempre apoiando a cena metal da região.

O calor estava insuportável e o teatro ainda não estava aberto. Tivemos que esperar cerca de trinta minutos até conseguirmos entrar e para nossa surpresa, a casa era um teatro com todas as condições para um grande espetáculo e um ar condicionado de primeiro mundo, além de camarins muito confortáveis e um palco formidável. Já que a Christmess abriria a noite, montamos todos os equipamentos simultaneamente e após um breve descanso nas poltronas vermelhas do Teatro, abriram-se as portas para o público. O show começou com a Christmess detonando tudo. Todos tocam muito bem e fazem um som no maior estilo “porrada”. Na primeira música a voz do Lúcio estava mutada e o técnico de som havia sumido ... Corri para chamar o Daniel Pepe para nos dar uma mão enquanto o Ozéias dava aquele show de sempre na guitarra.

Após um breve intervalo, com uma iluminação impecável conduzida pelo Marcelo – que trabalha com algumas bandas da região – iniciamos o nosso set. De início o pessoal estava sentado, mas após alguns segundos a galera se mandou pra frente do palco e começou a agitar. Foi um show animal que mostrou o entrosamento da banda. As novas guitarras do Jackson do Martinez estão com um baita som e o lugar era propício a uma boa equalização. Mais uma vez, fomos aplaudidos por vários minutos e saímos satisfeitos do palco, indo logo para o saguão do teatro para falarmos com a galera que nos esperava. Encontramos vários conhecidos como a nossa amiga Débora Andranio, batera da “Actrice” (Florianópolis), o Marcus Adonai, guitarrista da “Before Eden” e a sua esposa, a nossa cirurgiã dentista favorita dos shows do Hangar, a Maria Mansur que sempre nos prestigiam.

Florianópolis, a volta, gargalhadas e o Contrário.

Como era o último show da gig de fevereiro, o Infallibus voltaria direto para São Paulo e Mococa, então o Martinez e eu voltamos direto para Porto Alegre. Tivemos que pegar uma carona até Florianópolis e chegamos à rodoviária às duas da manhã. O ônibus sairia somente às 9h, então estávamos nós dois ali com uma tonelada de equipamentos, duas guitarras, um baixo, dois amplificadores do Martinez e as malas... A empresa de ônibus tinha uma sala – que pensamos ser uma sala de espera – mas que abriria somente às 6h. E ntão o negócio era esperar no chão mesmo, com um olho fechado e o outro no equipamento naquele calor infernal.

Quando deu finalmente 6h da manhã, a sala de espera finalmente foi aberta, o ar condicionado ligado e fomos direto para lá. Logo na porta já nos barraram: só poderia ficar lá quem fosse tomar o ônibus dentro de, no máximo, 30 minutos. E lá fomos nós de outra vez para o chão e para o calor, sem sabermos se ríamos ou se chorávamos... Finalmente às 8h30 a porta reabriu e entramos na sala com o ar condicionado. Com aquele monte de tralha, um dos atendentes se prontificou a nos ajudar e perguntou pro Martinez: "senhor, o que vai embaixo e o que vai em cima?" O problema é que o Martinez usa protetor de ouvido em qualquer lugar, então a cena que se seguiu foi uma das mais engraçadas que eu já presenciei na história da banda. O cara perguntava, o Martinez não ouvia e eu olhava para o Martinez esperando a resposta. E o Martinez nada! Ele continuava de cabeça baixa mexendo na sua mala. Tudo isso em um espaço de um metro de distância entre a gente. O cara perguntando, o Martinez não respondendo e eu olhando incrédulo! Depois de cinco tentativas o atendente por conta própria pega uma das malas do Martinez e uma guitarra e sai a passo. O Martinez levanta a cabeça e grita com o cara: "Hey, seu louco! Onde você vai com isso?" Eu nunca ri tanto na minha vida! Eu chorava de tanto rir! Se vocês tivessem a oportunidade de ver a expressão do rapaz da empresa olhando pro Martinez, vocês iriam entender do que estou falando... Demorei uns vinte minutos pra me recuperar de tanto que eu ri da situação. Parabéns ao Martinez por me presentear com esta oportunidade única de rir m uito, mas muito mesmo! rs

Finalmente saímos de lá às 9h da manhã em um ônibus leito, com ar e tudo mais... (que, é claro, custa o preço de uma viagem de avião). Estava tão cansado que cinco minutos depois já estava dormindo mas não sem antes me lembrar da cena que havia presenciado minutos atrás e rir um pouco mais! Passado um tempo eu senti que o ônibus estava estacionando. Olhei pela janela e li "Rodoviária de Florianópolis". “O que está acontecendo?”, pensei já me sentindo em um daqueles episódios do Lost, completamente perdido. O ônibus estava com problemas e tivemos que voltar para trocarmos de ônibus... Finalmente chegamos em Porto Alegre às 16h

Final

Este foi o resumo de todos estes meses. O presente é agora e o futuro nos espera com muitas aventuras por aí. Vamos seguir contando e em março já estaremos na estrada novamente. Hangar Day, Curitiba, Porto Alegre, Santo Ângelo e Brusque. A locomotiva não pode parar!

Revisão: Bruna Fonte

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Texto publicado na Revista Crase em fevereiro de 2011.

Olá pessoal. A pedido de minha grande amiga Bruna Fonte escrevi um pequeno artigo para a revista Crase do Rio de Janeiro. O tema é "relacionamentos que fazem a diferença". Foi um desafio grande e procurei inserir um pouco do cotidiano do Hangar no texto. Espero que voces gostem. O site da revista é www.revistacrase.com.br/edicoes/0007/






terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Músicas que marcaram : Capítulo Três - Sol de Primavera - Beto Guedes


Quando tenho vontade de escrever tomo como guia as minhas experiências diárias como base. Hoje pela manhã quando comecei a escutar música , a primeira que tocou foi "Sol de Primavera". Falar de Beto Guedes significa falar de um período mais "bicho grilo" da minha vida. Também significa falar de Minas Gerais e toda a sua essência musical do Clube da Esquina. Acho que Beto era tipo um irmão mais novo dos componentes do "Clube". Nomes como Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura, Flávio Venturini fazem parte da história musical brasileira. Poderia ter escolhido alguma outra música como "Feira Moderna", "O Sal da Terra", "Amor de Índio", "Lumiar", "Roupa Nova" ou "Contos da Lua Vaga", todas dos quatro grandes álbuns mais conhecidos do artista "A Página do Relâmpago Elétrico", "Amor de Índio", "Sol de Primavera" e "Contos da Lua Vaga" , lançados entre 1977 e 1981, mas optei por "Sol de Primavera" porque me lembra de um momento especial. A música era tema de abertura de uma novela da Globo chamada "Marina" e o grande barato era que ela começava exatamente no horário em que eu chegava em casa vindo da escola. QUando abria a porta de casa escutava a linda melodia que ficou na memória. Na época eu não tinha a menor noção de quem era a música , mas ficou no meu consciente. Alguns poucos anos mais tarde quando comecei realmente a me interessar por música pude curtir toda esta obra maravilhosa deste mineiro chamado Beto Guedes, mestre da melodia.

Sol de Primavera
Beto Guedes/ Ronaldo Bastos - Sol de Primavera 1980

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção que venha nos trazer

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender