quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Material gráfico do Hangar by JDuarte




Sempre tivemos muita sorte em contar com profissionais competentes nas nossas produções visuais. Patrícia Tarasconi, Rodrigo Cruz, Luciano Sorrentino e Vanessa Doi foram infalíveis nas capas e artes dos nossos discos e deixaram suas marcas. No dia a dia com o passar dos shows e atividades com o Hangar e workshops
individuais sentimos a necessidade de mais dinamismo e manutenção quase que on line de nossos compromissos. Foi ai que apareceu o João Duarte. Eu o conheço a um bom tempo, através da Marina Dickinson, nossa grande amiga que chamo carinhosamente de "número 1" por ser uma grande fã da banda a muito tempo. Lembro que timidamente eu e o João começamos a trocar ideias sobre algumas artes para cartaz de workshops e logos personalizados, já que ele já era um profissional do ramo , mas acho que ele ainda não havia topado com um trabalho mais pesado na grande mídia. Logo em seguida joguei o desafio maior que era a construção do nosso myspace oficial.Como de costume ele foi atrás e conseguiu um resultado impecável. Hoje o João Duarte é uma realidade do design, direcionando seu trabalho a várias bandas e artistas e faz parte da história do Hangar. O portfólio abrange
tudo, sites, myspaces, jpgs e toda mídia gráfica disponível, ou
seja todas as soluções. Parabéns a JDuarte Design pela grande parceria ao longo dos últimos anos. Quer conhecer acesse www.myspace.com/jduartedesign

sábado, 8 de janeiro de 2011

Kleiton e Kledir , deu pra ti paixão.


Não é nenhuma novidade que nós gaúchos somos bastante peculiares quanto a nossa identidade. Falar sobre isso renderia um bom texto , mas não para hoje. Comecei este tópico por que revirando os discos antigos que trouxe da casa do meu pai encontrei um antigo LP da dupla gaúcha Kleiton e Kledir. O disco que é de 1981/82, se não me engano, foi sucesso nacional e alavancou a carreira deles por muito tempo. A música que mais tocou chama-se "Deu Pra Ti" que fala exatamente a linguagem padrão destas terras. Jargões comuns aos gaudérios foram levados a várias querências e estâncias de outros estados e tomaram rumo natural de inserir-se na linguagem coloquial ou trivial até hoje. O "Bah" que é uma interjeição que indica espanto, admiração, surpresa ou assombro , já era bem conhecido nacionalmente por todos, mas expressões e frases como "tri legal", "a tchurma do Bom Fim", "as gurias tão tri afim", aliadas a visões comuns do cotidiano e de personalidades de Porto Alegre como "Beladona e chimarrão, que saudade da Redenção, do Fogaça e do Falcão, cobertor de orelha pro frio e a galera no Beira Rio" foram levadas ao conhecimento de muitos. Foi um momento legal da dupla e um marco na música destes lados. O disco ainda tem músicas importantes até hoje como "Semeadura" , uma milonga escrita pelo irmão Vitor Ramil com o refrão que marcou época por aqui :
"Americana Pátria morena, quiero tener
Guitarra y canto libre, en tu amanecer
No Pampa meu pala a voar , esteira de vento e luar, vento e luar."
O disco se completava com "Estrela, Estrela" também do irmão Vítor e os sucessos de rádio "Trova", "Noite de São João" , "Navega Coração" e a grande obra do disco "Paixão". Já tentei encontrar outra música que explicasse tão bem este momento único da paixão , mas para competir com esta letra é muito complicado. "Paixão" fala exatamente deste momento mágico. Uma balada com arranjo bem feito e uma letra com palavras simples mas certeiras. Kledir conseguiu traduzir alguns sentimentos em uma visão bem abrangente sobre uma espécie de leitura masculina daquele momento, mas não de uma maneira radical ou machista. Pelo contrário com todo o respeito e beleza que merece a situação. A letra tanto pode servir para uma noite ou para a vida toda e ai esta a magia desta poesia. Talvez uma visão feminina fosse importante para atestar a minha opinião, mas enfim, acho que foi um momento mágico desta dupla.Fica a dica para quem não conhece estes gaudérios que fazem história por estes pagos e campos.
Tá mas o que isso tem a ver com metal???? Pegue uma garrafa de vinho coloque a música e convide a sua paixão para fazer o teste...nada mais rock`n`roll.....

Paixão ( Kledir Ramil )

Amo tua voz e tua cor
E o teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que nem sei contar

Ser feliz é tudo que se quer
Ah este maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muita louca
Faz o corpo arrepiar

Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim nem por ninguém

Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar

Vou ficar até o fim do dia
Decorando a tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar

Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Hangar Day dia 12/03/2011 em São Paulo


HANGAR DAY

A Banda Hangar promove evento com Show, Meet & Greet e lança ainda o concurso TOQUE COM O HANGAR NO HANGAR DAY

No dia 12 de março de 2011, o Blackmore Rock Bar será palco do Hangar Day, um evento único, realizado pelo Hangar em parceria com a Free Note.

Em comemoração ao evento, o Hangar lança em janeiro/2011 o concurso Toque com o Hangar no Hangar Day, onde 5 vencedores terão a chance de dividir o palco com o Hangar para tocar uma música cada. (Consulte o regulamento do concurso no site www.hangar.mus.br.)

Após os vencedores deixarem o palco, o Hangar iniciará um show com o repertório do seu novo álbum Infallible, seguido de um Meet & Greet para todos os fãs presentes no evento. Durante todo o evento serão realizados sorteios de muitos brindes especiais!

A partir do momento de abertura da casa, haverá venda de Merchandising Oficial da Banda e produtos Free Note (Métodos, Songbooks e outros produtos) com preços especiais!

Comprando o seu ingresso ANTECIPADO você ganha automaticamente 10,00 em bônus para gastar no estande da Free Note no dia do evento.*

*válido somente para compras realizadas no dia do evento.

Informações
Hangar Day
Sábado, 12/03/2011 às 22h (abertura da casa: 20h)
Blackmore Rock Bar
Alameda dos Maracatins 1317 – Moema

Venda de Ingressos
Os ingressos estarão à venda a partir do dia 29/01 na Free Note (Rua Teodoro Sampaio, 785 –
Informações: 11 3085-4690)
Compra antecipada (Free Note): R$ 15,00
Compra no dia do evento (na bilheteria do Blackmore Rock Bar): R$ 20,00

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Músicas que marcaram : Capítulo Dois - Burn - Deep Purple


Tudo bem eu também gosto do Gillan e dos discos In Rock , Fireball, Machine Head, Made In Japan e Who Do We Think We Are. Obras maravilhosas, extraordinariamente bem tocadas e impressionantes, mas de alguma maneira aquele período talvez estivesse um pouco aquém do que conhecemos hoje como um show completo de hard ou heavy rock. Ainda faltava alguma coisa e isso a gente ve nos vídeos da época. Mudanças acontecem em qualquer banda. Eu é que sei...Escutar os trabalhos do Deep Purple com David Coverdale e Glenn Hughes para mim foi como um rejuvenescimento. Um outro olhar sobre a banda. Talvez fosse o fato do baixista cantar e tocar pra caramba. A composição em si, baseada em um dos riffs mais poderosos da história aliada a bateria louca do Ian Paice , coisa que até hoje os bateras se quebram pra repetir, faziam com que eu a ouvisse sem parar na adolescencia. Estava tudo lá, verso, solo de guitarra e de teclado, refrão, só que com uma linguagem um pouco diferente que talvez nem eles soubessem, mas que já desenhava o que viria depois na continuidade dos seus trabalhos. Falando um pouco do album, Burn era acompanhada por suas irmãs You Fool no One, Sail Away, Mistreated e Might Just Take Your Life, fazendo-o uma obra prima. Sempre leio que a influência de Glenn Hughes teria feito com que Richie Blackmore tivesse abandonado o barco depois do lançamento do disco seguinte "Stormbringer", mas olhando as composições notamos que em sua sua maioria são dele mesmo e de David Coverdale, Jon Lord e Ian Paice, então???. Indo um pouco mais adiante fica claro os estilos de cada um quando você ouve "Stormbringer" do disco homónimo e "This Time Around" e "You Keep on Moving" do disco "Come Taste the Band", já sem Blackmore nas guitarras. Enquanto Blackmore era mais metal, Coverdale era mais hard e Hughes mais soul. O disco e a música lançados em fevereiro de 1974 mostraram os caminhos diferentes que cada um deveria seguir para o bem do rock dos anos 70 e para a posteridade. A distancia, me parece que Blackmore era o mais focado na carreira e nos objetivos. Saindo do Deep Purple chamou um time de peso e formou o Rainbow com Dio nos vocais e após lançar o primeiro e segundo discos saiu em uma super tourne com dois backdrops e um Arco-Iris de luzes coloridas no palco em um show caríssimo que nem mesmo o Deep Purple dos aúreos tempos possuía. Mais tarde se dirigiu ao mercado americano onde conseguiu sucesso até o ínicio dos anos 80. Coverdale, a grande revelação e o mais novo da formação de 1974/75 seguiu o seu caminho primeiramente junto com Jon Lord e Ian Paice e transitou até o ínicio dos anos 80 pelo rock tradicional calcado no hard blues com discos excelentes da sua banda Whitesnake. A partir da metade da década "descobriu" o mercado americano e transformou-se no mega rock star que conhecemos atualmente. Embora nunca mais tenham tocado juntos é interessante ouvir a música "Soldier of Fortune" do disco Stormbringer. Uma composição dos dois que já mostrava o direcionamento de ambos e para onde iriam seus trabalhos. A primeira "balada" de Coverdale que depois usaria muito bem este expediente em todos os discos do Whitesnake somada ao arranjo e solo de Blackmore que notadamente expandiria a idéia para os primeiros discos do Rainbow. Hughes depois de anos perdidos com as drogas , hoje toca e canta tão bem quanto anos atrás e esteve no Brasil a poucos dias levando o seu legado adiante com ótimos trabalhos. Enfim que continuem "queimando tudo" pelos palcos, "You know we had no time...

Burn

(Blackmore, Coverdale, Lord, Paice) - Burn - Deep Purple - 1974

The Sky is Red, I dont understand
Past midnight I still see the land
People are sayin`the woman is damned
She makes you burn with a wave of her hand

The city´s a blaze , the town´s on fire
The woman´s glames are reaching higher
We wewr fools , called her liar
All I hear is, burn..

I didn´t believe she was devil´s sperm
She said, curse you all, you´ll never learn
When I leave there´s no return
The people laughed till she said, burn...

Warning came, no one cared
Earth was shakin`, we stood and stared
When it came no one was spared
Still I hear, burn...

You know we had no time
We could not even try
You know we had no time


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mod, rock, heavy , afinal o que é atual???

Será que estética tem a ver com música? ou ela diferencia seguimentos?Ou tudo não passa de palavras e pensamentos que não levam a nada?
Durante o ano de 2009 costumávamos ensaiar com a Riffmaker em um estúdio no centro de Porto Alegre. Este estúdio funciona como uma espécie de "Meca" do Indie, Alternativo, Mod ou seja lá o que seja chamado esta onda de música gaúcha que abastece o mercado local. O que era muito engraçado é que a quando eu chegava no local me deparava com um choque visual e musical. Era um desfile de músicos vestidos com calças super justas, coletinhos , jaquetinhas verde, boinas, terninhos estilo Beatles, sem falar nos cabelos e nas suíças, cortados no maior estilo Seleção Holandesa de Futebol de 1974. Sério, procurem uma foto da Seleção da Holanda de 1974 ou do Emerson, Lake and Palmer de 1971 e vocês terão uma penca de modelos para cabelos para tocar em bandas indie de Porto Alegre. A sonoridade também é especial. Alguma mistura de coisas antigas de The Who mas principalmente dos Stones dos anos sessenta. Até a dancinha do Mick Jaeger os caras fazem exatamente igual, além das guitarras e baixos estilo Beatles de ínicio de carreira . Parecia que tinhámos entrado em uma espécie de túnel do tempo, voltando a Londres dos anos sessenta. O interessante mesmo é que os caras ficavam olhando pra mim e pro restante da banda e eu sentia alguma coisa no ar, tipo "ih chegaram os caras cabeludos, metaleiros e que tocam aquelas músicas antigas barulhentas do Van Halen e do Whitesnake". Em um contra senso total por duas ou três horas que ficássemos naquele estúdio éramos vistos como uma banda de caras que "tocam músicas chatas, velhas e barulhentas", além de vestirem-se como "aqueles caras do primeiro Rock`n` Rio". O choque de gerações ou de informações era muito engraçado porque não deixávamos "passar" o momento e vez por outra alguém mais empolgado ficava tirando a maior onda com os caras, imitando a dancinha do Jaeger dos seus piores momentos, tudo dentro da sala de ensaio lógico , para não gerar mais desconforto. Alguns meses depois paramos de ensaiar neste estúdio, mas sei que os caras trabalham bem, possuem gravadora, fazem lançamentos de bandas do estilo etc...estão trabalhando pelo que vieram , ou seja , pela música e pelo seu sustento. No final das contas tudo não passa de um grande mal entendido. Não podemos deixar de levar em consideração todas as fases e bandas que começaram toda história desde os anos sessenta, passando pelos setenta e oitenta e chegando até os anos atuais onde me parece que nada mais é novidade em matéria de estética visual. Não adiantaria em nada enfrentar uma situação destas tentando convencer que os Stones são mais antigos do que o Bon Jovi por exemplo. Cada um faz o que curte, embora eu ache que estas situações estão cada vez mais distantes. Até mesmo os vários segmentos do metal estão mais próximos e é muito comum todas as tribos estarem juntas em um mesmo show. Parece que hoje o mais importante é a diversão e não perder tempo decidindo-se por um segmento do rock, seja ele musical ou visual. Eu não vejo nenhum problema em ouvir "Desperado" do Eagles, vestindo uma camiseta preta do Hangar, tomando chimarrão no final da tarde com esta brisa geladinha vinda do sul...muito bom.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Músicas que marcaram : Capítulo Um - Don´t Stop Believin´ - Journey


Nesta série pretendo falar de músicas importantes que passaram pela minha vida e a de muitos amantes da música em geral. Talvez a lista apresentada não seja nenhuma surpresa , já que o meu gosto pessoal geralmente vai ao encontro normal de quem gosta de classic rock e metal tradicional. Com certeza algumas músicas nacionais também serão lembradas. Dificilmente leio textos que falam especificamente sobre músicas isoladamente, então o tema passou a ser interessante. De alguma maneira é uma forma de recordar de alguma coisa. A ligação com suas memórias do passado e o seu link com o presente e talvez o futuro. É o famoso "teste do tempo".Quando gostamos de uma música, podemos traduzir que ela o conquistou por uma série de fatores. Eles podem simplesmente passar despercebidos, mas com o passar do tempo e a sua "imortalidade", a sua continuidade na memória, você poderá distinguir que alguns fatores são primordiais. Melodia, harmonia, timbres, letras, ritmos. Tudo isso fica no seu consciente. A opinião que expresso aqui é totalmente particular e parte do suposto que a soma dos fatores acima conseguiu te "prender" e ativou alguma parte do seu sentimento. De alguma forma quando você ouve "aquela" música está sentindo alguma "coisa", ou seja ela "toca" o seu "sentimento".
Don´t Stop Believin´ foi a primeira música do disco Escape. Lançado em 1981 pela banda Journey foi um sucesso comercial no mundo todo. Aqui no Brasil fez parte de uma campanha de comerciais de uma grande marca de cigarros, provavelmente durante o ano de 1982/1983. Iniciando com uma sequência de acordes no piano de Jonathan Cain, acompanhado pelo baixo de Ross Valory e a voz de Steve Perry , a história da "garota do interior e do garoto crescido ao sul de Detroit" que tomam o "trem da meia noite sem destino certo" vai ao encontro do "sonho americano", a busca pela emoção, pelo destino melhor e maior. Logo em seguida a guitarra de Neal Schon e a bateria de Steve Smith imprimem um outra figura a música, embalando a jornada por imagens da noite que com certeza todos nós já passamos. "Estranhos subindo e descendo a rua.Pessoas paradas nas ruas vivendo apenas para encontrar emoção. Alguns ganharão e outros perderão. Trabalhando duro para ter o que quer, é assim sem parar." Quem não passou por isso? Continuando no crescendo a música chega ao ápice no refrão, que diferentemente de outras canções fica no final da música. "Não pare de acreditar". A mensagem é positiva, a busca e a esperança de chegar lá, em algum lugar melhor. Os arranjos parecem fáceis mas algumas pegadinhas estão presentes. Já vi muita gente tocando errado esta música. O que posso falar é que ela é "atemporal", faz parte do Olimpo dos clássicos reunindo todos os quesitos descritos na primeira parte do texto; melodia, harmonia, letra, ritmo. O sentimento que proporciona depende da individualidade de cada um. No meu caso é uma canção obrigatória em todos os shows da minha banda de covers Riffmaker. Nós a tocamos como se fosse uma música da própria banda, fazendo uma reverência a sua importância histórica e a tudo que representa. Que assim seja, eu continuo acreditando.

Don´t Stop Believin´
(Steve Perry, Jonatham Cain, Neal Schon) - Journey - Escape - 1981

Just a small town girl
Livin`in a lonely world
She took the midnight train going anywhere
Just a city boy
Born and raised in South Detroit
He took the midnight train going anywhere

A singer in a smoky room
The Smell of wine and cheap perfume
For a smile they can share the night
It goes on and on and on

Strangers waiting
Up and down the boulevard
Their shadows searching in the light
Streetlights people
Living just find emotion
Hiding somewhere in the night
Working hard to get my fill
Everybody wants a thrill
Payin`anything to roll the dice
Just one more time

Some will win, some will lose
Some were born to sing the blues
Oh, the movies nevers ends
It goes on ad on and on

Don´t stop believin´
Hold on to teh feelin´
Streetslights people



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Memórias - 05/06/1999 - Lançamento do Last Time


Onze anos são bastante tempo. Muita coisa aconteceu e o mundo hoje é completamente diferente. A música também. Porto Alegre do final dos anos noventa para o metal se resumia a algumas lojas , bandas que tentavam levar adiante os seus projetos e poucos lugares para tocar. Toda aquela efervescência do inicio da década tinha passado e fazer música naquele momento era um pouco complicado. Lembro que alguns festivais no Auditório Araújo Vianna e apresentações esporádicas no Garagem Hermética ou no Teatro de Elis. Gravar e produzir um CD e depois lança-lo era um trabalho para poucos. Não andávamos nas rodas de cerveja da Osvaldo Aranha e muito menos vestíamos de preto durante os sete dias da semana. Trabalhávamos em nossos empregos comuns e nos finais de semana ensaiávamos a exaustão e planejávamos nossos próximos passos. Assim sendo , o lançamento do nosso primeiro CD teria que ser muito bem feito e planejado. Um verdadeiro acontecimento. Foi assim que trabalhamos durante dois meses para que tudo desse certo. Mandamos imprimir cartazes no formato de A3 e começamos a cobrir a cidade com os mesmos. Saíamos a noite nos carros do Cristiano ou do Aquiles. As vezes no meu mesmo. Dentro carregávamos baldes de grude que só o Michael sabia fazer. Uma mistura de farinha com algum outro ingrediente, mas que ficava parecida com uma outra coisa bem masculina que acredito não preciso descrever. Na madrugada um ia passando grude com pincel e o outro colando e todo mundo sujando as mãos naquele líquido branco viscoso. Era uma diversão e uma "pegação de pé" por causa da sujeira. Íamos colando sem parar em vários pontos tradicionais da cidade e bairros onde havia música ao vivo. Na rua Venâncio Aires quase esquina com a João Pessoa colamos cerca de 150 metros de cartazes em duas ou três fileiras. O cartaz era azul e chamava muito a atenção.No outro dia o pessoal da Prefeitura nos localizou e mandou que tirássemos os cartazes ou iria nos multar ou cancelar o show. Lá foi o Michael arrancar todos os cartazes da parede. Fizemos um trabalho de divulgação bem legal em jornais locais. Uma parte engraçada foi quando fomos a Tv da Ulbra em Canoas na Grande Porto Alegre. Fomos , eu, o Cristiano e o Mike. O apresentador fez uma pergunta pro Cristiano sobre as letras das nossas músicas e o "Alemão" se perdeu dizendo "as letras são assim meio que sem sentido". Lógico que ele estava querendo dizer que as letras eram abstratas e não tratavam de um assunto específico.Até hoje onze anos depois nós ainda lembramos desta gafe e brincamos muito quando alguém pergunta sobre as letras da banda:"ahhh são assim meio que sem sentido...".
Ensaiamos muito as seis músicas de nosso CD e teríamos que completar o set com covers de bandas que tinham a ver conosco na época. Vendo agora eu acho graça. Dá pra entender tocar quatro músicas do Stratovarius???Tinha também Iron Maiden, Malmsteen, Helloween e Deep Purple. Pra complicar, como era de costume, tocávamos um meddley instrumental do Pantera que tinha uns oito pedaços de músicas conhecidas e um meddley do Dream Theater que se não me engano continha partes de umas três ou quatro músicas também. Na soma total o set era de difícil execução, rápido,veloz e técnico. Contratamos uma equipe de som da cidade de Igrejinha, que já viria com as camêras para gravar o vídeo do show. Aliás eram duas ou três não me lembro muito bem. O que não contávamos era com a pouca iluminação do local, que fez com que a gravação ficasse escura. Naquela noite toda a "metal city" se moveu a uma só direção, o Bar Fim na Avenida Osvaldo Aranha, bairro Bom Fim. Foram mais de 600 pessoas que lotaram o bar e viram ali a consolidação do Hangar na cena do metal gaúcho da época. Abrir o show do Angra sete meses atrás tinha sido um cartão de visitas , mas gravar, promover e lançar um cd era para poucos e foi um grande marco. Bom lembrar deste dia. Em breve mais "memórias".